Memórias de um mochileiro
por Edson Prudêncio de Lima, Barba
Woulde nasceu na Etiópia. Deixou seu país em julho de 2004 e passou por cinco países, - entre eles Quênia e África do Sul - antes de chegar ao Brasil.
Fala inglês mas tem bastante dificuldade com o idioma local.
Ficou preso na Polícia Federal. Me parece que 2 irmãos seus morreram em conseqüência de guerras no seu país, o qual se refere como “país de merda”.
Woulde me parece ter um olhar esperançoso mas aparenta impaciência e não raro reclama de não ter trabalho e das demais dificuldades que tem enfrentado. “Cinco países já me expulsaram. Não é fácil meu amigo”. Tem 31 anos e sempre me cumprimenta com educação e um sorriso largo.
Mirian é cubana. No primeiro contato que tivemos falou sobre o embargo no seu país. “Cinco ovos por mês, um sabonete por mês”. Disse que havia tomado coca-cola pela primeira vez no Brasil, há cerca de três semanas quando chegou.
Dan nasceu no que hoje é a Bósnia. Aos 13 anos sua avó o levou para viver com ele na Geórgia. Não teve mais contato com seus pais desde então. Em 2003 foi à Colômbia, onde passou a trabalhar como guarda-costas de empresários, defendendo-os da guerrilha Gorilaz. Também morou no Equador. Descreve sua experiência como “trabalho na selva”. Aprendeu espanhol e fala quéchua. Chegou ao Brasil sem documentos. Gosta de conversar e me faz perguntas sobre a Inglaterra e o povo inglês. Quer aprender português.
Miguel viveu cinco anos na Espanha. Sua família está lá. Mulher e dois filhos. Num dia, a imigração o deteve, pois seu empregador o registrou com documentos falsos e ele foi preso em um centro de remoção para imigrantes.
Foi deportado. Não havia solução melhor; poderia ficar no país, mas teria que pagar “mais de trinta mil euros” de multa.
Chegando ao Equador, seu país de origem tratou de comprar um passaporte boliviano por 2 mil dólares e rumou ao Brasil. Ficaria mais fácil passar pela imigração brasileira rumo a Espanha com passaporte boliviano, pois os policiais não notariam seu sotaque equatoriano.
por Edson Prudêncio de Lima, Barba
Woulde nasceu na Etiópia. Deixou seu país em julho de 2004 e passou por cinco países, - entre eles Quênia e África do Sul - antes de chegar ao Brasil.
Fala inglês mas tem bastante dificuldade com o idioma local.
Ficou preso na Polícia Federal. Me parece que 2 irmãos seus morreram em conseqüência de guerras no seu país, o qual se refere como “país de merda”.
Woulde me parece ter um olhar esperançoso mas aparenta impaciência e não raro reclama de não ter trabalho e das demais dificuldades que tem enfrentado. “Cinco países já me expulsaram. Não é fácil meu amigo”. Tem 31 anos e sempre me cumprimenta com educação e um sorriso largo.
Mirian é cubana. No primeiro contato que tivemos falou sobre o embargo no seu país. “Cinco ovos por mês, um sabonete por mês”. Disse que havia tomado coca-cola pela primeira vez no Brasil, há cerca de três semanas quando chegou.
Dan nasceu no que hoje é a Bósnia. Aos 13 anos sua avó o levou para viver com ele na Geórgia. Não teve mais contato com seus pais desde então. Em 2003 foi à Colômbia, onde passou a trabalhar como guarda-costas de empresários, defendendo-os da guerrilha Gorilaz. Também morou no Equador. Descreve sua experiência como “trabalho na selva”. Aprendeu espanhol e fala quéchua. Chegou ao Brasil sem documentos. Gosta de conversar e me faz perguntas sobre a Inglaterra e o povo inglês. Quer aprender português.
Miguel viveu cinco anos na Espanha. Sua família está lá. Mulher e dois filhos. Num dia, a imigração o deteve, pois seu empregador o registrou com documentos falsos e ele foi preso em um centro de remoção para imigrantes.
Foi deportado. Não havia solução melhor; poderia ficar no país, mas teria que pagar “mais de trinta mil euros” de multa.
Chegando ao Equador, seu país de origem tratou de comprar um passaporte boliviano por 2 mil dólares e rumou ao Brasil. Ficaria mais fácil passar pela imigração brasileira rumo a Espanha com passaporte boliviano, pois os policiais não notariam seu sotaque equatoriano.

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial