ingnoranças e inverdades

Espasmos de um pouco de tudo

sexta-feira, outubro 27, 2006

Nellie the elephant, atire a primeira castanha do Pará quem nunca ouviu esse 'mais' que clássico hit do punk rock ??? Impossível !!! Quem não conhece a saga de Nellie, an intelegent elephant, que consegui escapar do circo ??? Impossível, também. Mesmo o menos adepto, ou aquele que nunca simpatizou com música punk em algum momento se deparou com Nellie the elephant em alguma festinha, mesmo que tenha sido uma festinha de criança. Nellie é daquelas músicas universais, no mundo do punk ocupa um lugar ao lado de outros hits inesquecíveis como Should i stay or should i go , Anarchy in the UK, Blitzkrieg bop, Festa punk, etc...

Pois é, na última quarta-feira os Toy Dolls passaram por aqui, mais especificamente no Blen Blen, trazendo Nellie no seu repertório e mais 27 anos de punk rock honesto e bem humorado, além do carisma do Michel 'Olga' Algar e banda. O show é simplesmente fantástico, um show ganho, com o repertório repleto dos maiores hits, mas fantástico, incluindo ainda alguns malabarismos que com boa vontade daria pra classificar como 'efeitos especiais'.

Olga é o mesmo de sempre, me parece, não deixa a peteca cair, a empolgação da galera foi a mesma, em quase todo o espaço, e além, Olga é um guitarrista 'genial' (li num jornalzinho qualquer), só sei que o som de sua guitarra é inconfundível. É o mesmo, não envelhece, muito menos engorda. Eu pude confirmar isso ao vivo, depois de terminado o show, a banda saiu pelo meio das pessoas que esperavam numa fila imensa para pagar a tal comanda. Nesse instante ele passou bem ao lado onde eu descansava tomando uma cervejinha, parou para uma sessão de fotos e continuou caminhando pelo lugar. Sem a indumentária, realmente, Olga e os demais são irreconhecíveis, tanto é que passou meio despercebido, pouca gente o reconheceu no meio da muvuca. E ele passeou no meio de punks e skinheads, apesar daquele trágico episódio de 88 no Projeto SP, quando da primeira vez que eles vieram.

Deu muita vontade de parar e conversar, perguntar, mas meu inglês sofrível me fez desistir, nem sequer arranjei uma máquina digital, poderia ter tirado umas fotos, tudo bem. Espero que a turnê chamada Our last tour ??? não seja de fato a última, que Olga continue um mulequinho engraçadinho e carismático. Acho que Toy Dolls foi a primeira banda que eu aprendi gostar e comprar discos, discos de vinil, se não foi a primeira foi uma delas.

Hoje é dia dos curitibanos e sábado mais um show aqui em SP, no Hangar 110, casa 100% picareta, pequena, infra estrutura horrível, ingresso caro e ainda não aceita carteirinha de estudantes.

Foi assim, 27 anos de música independente, de letras engraçadas e até infantis que conquistou o mundo, valeu Toy Dolls.



terça-feira, outubro 24, 2006

Memórias de um mochileiro II

por Edson Prudêncio de Lima, Barba

Luis insistiu muito para usar o computador “mais 5 minutos”. Era seu aniversário. E o da minha mãe também. Ao final me agradeceu muito. Já estava na Casa havia seis meses.
Fui morar no Peru por um tempo e meses depois o encontrei em Lima e fomos almoçar. Falamos sobre o as diferenças culturais dos dois países, das peruanas, das brasileiras.
Admirava as paulistanas andando rápido de salto alto nas subidas e descidas do centro.
Queria me alertar para o fato de não haver papel higiênico nos banheiros em Lima, mas não deu tempo. Conversamos muito e ao final perguntei o porquê de ter deixado sua terra natal e ter ido ao Brasil.
Foi para esquecer uma desilusão amorosa.

A menina tentava espantar os turistas que tiravam fotos com suas lhamas. “Mis llamitas no, mis llamitas no...” Os turistas continuavam a descer do ônibus e os que não paravam pra tirar fotos passavam pela menina direto à próxima ruína prevista no roteiro.
Ela tentava conseguir algum dinheiro ou comida com quem tirasse foto com suas lhamas.
Rosita tinha a pele queimada pelo frio dos Andes Peruanos. Ganhou uma mixirica de alguém e umas moedas do turista que preferiu tirar fotos dela.

Era um final de tarde de outuno em Roma. Cansado e atraído pelo grupo de senhores que tocava música numa ruazinha movimentada, sentei-me num banco em frente a eles. Depois de tantas atrações turísticas, era um achado poder ver o que a gente daquele lugar fazia.
Depois de um tempo continuei minha caminhada. Fui tirar fotos numa praça e lá estava o grupo de senhores romanos já com seus instrumentos guardados e conversando numa roda.
Passei perto deles pra tentar entender alguma coisa.
Mas eram imigrantes. Romenos.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Memórias de um mochileiro

por Edson Prudêncio de Lima, Barba

Woulde nasceu na Etiópia. Deixou seu país em julho de 2004 e passou por cinco países, - entre eles Quênia e África do Sul - antes de chegar ao Brasil.
Fala inglês mas tem bastante dificuldade com o idioma local.
Ficou preso na Polícia Federal. Me parece que 2 irmãos seus morreram em conseqüência de guerras no seu país, o qual se refere como “país de merda”.
Woulde me parece ter um olhar esperançoso mas aparenta impaciência e não raro reclama de não ter trabalho e das demais dificuldades que tem enfrentado. “Cinco países já me expulsaram. Não é fácil meu amigo”. Tem 31 anos e sempre me cumprimenta com educação e um sorriso largo.

Mirian é cubana. No primeiro contato que tivemos falou sobre o embargo no seu país. “Cinco ovos por mês, um sabonete por mês”. Disse que havia tomado coca-cola pela primeira vez no Brasil, há cerca de três semanas quando chegou.

Dan nasceu no que hoje é a Bósnia. Aos 13 anos sua avó o levou para viver com ele na Geórgia. Não teve mais contato com seus pais desde então. Em 2003 foi à Colômbia, onde passou a trabalhar como guarda-costas de empresários, defendendo-os da guerrilha Gorilaz. Também morou no Equador. Descreve sua experiência como “trabalho na selva”. Aprendeu espanhol e fala quéchua. Chegou ao Brasil sem documentos. Gosta de conversar e me faz perguntas sobre a Inglaterra e o povo inglês. Quer aprender português.

Miguel viveu cinco anos na Espanha. Sua família está lá. Mulher e dois filhos. Num dia, a imigração o deteve, pois seu empregador o registrou com documentos falsos e ele foi preso em um centro de remoção para imigrantes.
Foi deportado. Não havia solução melhor; poderia ficar no país, mas teria que pagar “mais de trinta mil euros” de multa.
Chegando ao Equador, seu país de origem tratou de comprar um passaporte boliviano por 2 mil dólares e rumou ao Brasil. Ficaria mais fácil passar pela imigração brasileira rumo a Espanha com passaporte boliviano, pois os policiais não notariam seu sotaque equatoriano.

segunda-feira, outubro 16, 2006

O caso Nuclear da Coréia do Norte

É o mais novo temor mundial. Ainda que é sabido que a Coréia do Norte não detém tecnologia para produzir mísseis com ogivas nucleares, estão longe disso, nem os de pequeno e médio alcance, quanto mais os interbalísticos. E sabemos também que os testes são cartadas do desgastado regime "comunista" (coitado do velho Marx) para abrandar o bloqueio econômico e suas nefastas consequências. Mas o pânico está aí, estampado diariamente na mídia, os acontecimentos recentes na Bolívia, a meu ver, muito mais consequente para o cotidiano do nosso país, levemente, foram tratados. Mas porque o pânico de um conflito atômico se as mortes são instantâneas ??? Porque o medo de um fim rápido do mundo ??? O que as pessoas - comuns como eu - têm tanto a perder ??? Me intriga.
Nesses momentos eu me lembro de uma passagem dos tempos de Perón, deliciosamente contada pelo professor Wilson. O populista Juan Domingo Perón, em um dos seus arroubos liberou as ferrovias argentinas aos finais de semana para transporte de pessoas e cargas. Os trabalhadores passaram a viajar gratuitamente, as estações de Buenos Aires e arredores se enchiam de migrantes que podiam então, voltar todos os finais de semana para rever seus parentes. Os técnicos e engenheiros das ferrovias se puseram em alerta num primeiro momento para, logo em seguida, posicionarem-se contrariamente a medida. Alegavam que a ferrovia daquela maneira iria falência. Pediram audiência diretamente com o presidente, a ferrovia era vital para a economia argentina. Depois de algumas audiências, esclarecidos os problemas, depois de muitos gráficos e tabelas e muitos mais 'sí, claro' de Perón, e da iminência da falência das ferrovias, eis que Perón retruca: ' É isso mesmo senhores, se as ferrovias não podem ser para todos que não seja pra ninguém'.

Se o mundo não pode........

sexta-feira, outubro 06, 2006

Superstição

Nasceu no dia 07/07/1907, sempre fora supersticioso. No dia 07/07/1977, ao completar 70 anos, apostou suas parcas economias no cavalo número 7, resultado, sétimo lugar.
Descobri...

a frase que as mulheres mais odeiam..."fica prá próxima".

- Oi, querida, tudo bem ???

- Tudo, tô te ligando porque hoje eu tava a fim de ir naquele lugar que eu te falei aquele dia...lembra ???

- Lembro, lembro, mas putzzz, hoje eu já tenho outro compromisso, tinha marcado com um amigão meu faz tempo, fica pra próxima, tudo bem....

- Tudo, sem problema, tchau.

- Tchau, beijão, me liga, hein...

(desliga o telefone)

- Filho de uma puta, fica pra próxima é a puta que te pariu, não sei pq eu ainda ligo pra ele.....

quarta-feira, outubro 04, 2006

Déjà vu

Depois de oitos anos, lá estava eu de novo. Dessa vez fiz questão de tirar um foto bem embaixo da placa que indica a fronteira. Pegamos o visto, não sem antes morrer a 'módica' quantia de mil pesos (aproximadamente 100 reais) motivo: a Elaine não estava com os documentos autorizados, RG ou passaporte, ela só portava a carteira de habilitação, não vale. Resultado, um subornozinho de leve na funcionária da alfândega e as lágrimas tristes da nossa amiguinha, o susto, pensamos que depois de tantas horas de estradas ficaríamos por ali mesmo, comprando porcarias no 'free shop'.
Seguimos viagem. Primeira parada, uma barreira meio improvisada, um funcionário careca de algum órgão público fiscalizava os carros, os brasileiros passavam direto, só nos perguntou - donde vamos? - Piriapolis - Disfruten - Gracias!
Mais algumas horas bastou para fecharmos o mapa, dali pra frente nostalgia e euforia. Oito anos depois lá estava eu de novo, os amigos eram outros, a felicidade a mesma. Aguante Uruguai y mucha Patricia!!!
Esquetes que valem um filho

Na sala:

Vovô: Bommmmmmm, deixa eu tomar meu banho (com a toalha nas costas, assistindo TV)

Vovô(minutos depois): Agora eu vou....

Luquinha:

Que vc tá fazendo aqui, ainda não foi, Vovô...